domingo, 12 de fevereiro de 2012

Pós Jogo- Palmeiras 3 x 0 Ituano

    Pode parecer pouca coisa. Uma vitória, contra o fraco time do Ituano. Mas o palmeirense ontem ficou feliz. Pela primeira vez, acho eu, desde o Paulistão do ano passado. Os torcedores alviverde, finalmente, viram um time jogando com prazer, vestindo o manto alviverde.
    E o jogo começou alucinante. Maikon Leite infernizava o lado direito da fraquíssima defesa do Ituano. Barcos parecia já estar inserido no time há meses, tamanho era o entrosamento com os companheiros. E Assunção, bom, era o Assunção de sempre. Genial.
    Logo aos 7, o Verdão ja abria o marcador. A jogada começou com um drible lindo de Barcos, na ponta esquerda da área. A bola foi para o outro lado, para os pés do infernal Maikon Leite, que cruzou, e o goleirão espalmou mal. Resultado: Patrick fez de cabeça.
    Mas, diferentemente do que acontece em 8 de cada 10 jogos do Palmeiras, o time não parou após o primeiro gol. E não muito tempo depois, Assunção cruzou e Barcos deixou o dele, levando os quase 12 mil espectadores alviverdes ao delírio.
    A partir daí, o jogo esfriou. O Palmeiras ainda tinha suas chances e era muito sólido na defesa. Quando começou a levar certa pressão no início da segunda etapa, Felipão mexeu muito bem, colocando João Vitor no lugar do cansado Daniel Carvalho. A saída de bola melhorou, assim como a marcação. E pouco tempo depois, o Verdão fechava o marcador, num cruzamento de Assunção, para o talismã alviverde, Arthur, fazer seu segundo gol em dois jogos com a camisa palmeirense.
    Luiz Felipe ainda mexeu outra vez muito bem, colocando Pedro Carmona no lugar do também cansado Marcos Assunsalva, que foi ovacionado de pé.
    Mais do que a vitória, outros fatos trazem tamanha felicidade para a nação palmeirense. Felipão parece ter achado a escalação ideal; além disso, o técnico colocou, no máximo, três volantes em campo no sábado, um grande avanço; Barcos já mostra ter total entrosamento com o resto do time; Assunção mais uma vez foi brilhante; o time, depois de muito tempo, voltou a jogar com prazer; e, finalmente, time e torcida parecem estar em total harmonia.

NOTAS

Deola- não teve muito trabalho no jogo, mas quase falhou em um chute de lomge- 7,5
Cicinho- mais uma vez jogava bem. Foi amarelado no fim do primeiro tempo, e, por precaução, acabou sendo substituído- 7,5
Juninho- pouco acionado, também pouco apareceu- 7
Henrique- PERFEITO! Parece ter voltado a ser o Henrique de 2008- 9,5
Leandro Amaro- uma partida sem erros, tirando alguns escorregões- 7
Assunsalva- simplesmente genial- DEZ
Marcio Araújo- parece que quando a fase do time é boa, nem ele compromete- 8
Patrick- finalmente resolveu jogar! Medo da chegada do Wesley?- 8,5
Daniel Carvalho- muito marcado, mas achou espaços para alguns passes geniais- 7,5
Maikun Aguero (Maikon Leite)- ele voltou! Que jogo do menino! INFERNAL!!!- 9
IbraimoBarcos- faz a torcida delirar! Finalmente encontramos nosso matador?- 9
Arthurlismã- 2 jogos, 2 gols. Já fez mais que o Ricardo Bueno- 8
João Vitor- reanimou o time com a sua entrada- 8
Pedro Carmona- mostra que tem potencial. Precisa ter mais chances- 8

Luiz Felipe Scolari- parabéns! Deu show!- DEZ

domingo, 5 de fevereiro de 2012

Um Capítulo Verde da História

     Em meio a esse chato começo de ano, quando a única coisa que esquenta os noticiários esportivos são contratações e negociações, não há muito sobre o que escrever, pelo menos, até o Paulistão esquentar. Então, só resta falar do passado, uma parte específica do passado, não muito gloriosa para a Sociedade Esportiva Palmeiras.

                                                                       ***


    O Palmeiras já fez história em vários momentos. Mas um, em especial, é pouco lembrado, porém, importantíssimo para o futebol brasileiro. Esse "esquecimento" deve-se ao fato de que o ocorrido aconteceu na fase mais escura da história do Verdão: a queda para a Série B, em 2003.
    Até 2003, poucos times já tinham caído para a Segunda Divisão. O Fluminense, que chegou até a cair para a Série C do Brasileiro, e o São Paulo que havia caído, nos anos 90, para a Série A2 do Paulistão, eram as exceções. Porém, como todos sabem, ambos os times tinham retornado a elite do futebol, brasileiro e paulista, no tapetão, ou seja, sem ao menos ganhar a Série B, para isso, graças a mudanças no regulamento das competições.
    Assim, quando Botafogo e Palmeiras caíram, no fatídico ano de 2002 era de se esperar que eles também voltassem sem ao menos precisarem jogar a Segundona. Muito pelo contrário. Mustafá Contursi, é verdade, chegou a até tentar que o Verdão subisse no tapetão, mas felizmente não conseguiu, graças a um imbróglio com as cotas televisivas do novo Campeonato Brasileiro.
    Logo, o Verdão e o Botafogo teriam que, pela primeira vez na História, subir na bola. Uma tarefa um tanto díficil, uma vez que os times do interior os consideravam seus maiores adversários e até inimigos.
    Mas foi isso que aconteceu. Com um time cheio de garotos, frutos do vice campeonato da Copa São Paulo de Futebol Júnior daquele ano, São Marcos no gol, após ter recusado uma proposta milionária do gigante Arsenal da Inglaterra, e Jair Picerni no banco, o Verdão passou, fase por fase, do turno de pontos corridos até o quadriangular final, para retornar a Série A.
    O Palmeiras, campeão de Segunda Divisão de 2003, e o Botafogo, o vice, foram os primeiros times a se reerguer na bola. E assim, no futuro, obrigariam todos os outros times grandes, como Grêmio, Vasco, Corinthians, entre outros, a retornarem a elite, jogando futebol. Um avnço gigantesco para o corrupto futebol brasileiro.

    Era a Sociedade Esportiva Palmeiras, mesmo no momento mais escuro de sua gloriosa vida, fazendo história no Futebol Brasileiro.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Resultados da Copinha


    A Copinha acabou para o Verdinho. O time deixou a competição, nas quartas de final, contra o Atlético-PR, em um jogo eletrizante que acabou 4 a 3 para o time paranaense. O jogo contou com expulsões, penaltis, golaços, erros de arbitragem... Realmente, parecia um jogo de gente grande! Porém, mesmo com o time deixando a competição cedo, alguns bons frutos podem ser colhidos de nosso time de juniores.
    O zagueiro Luis Gustavo apesar de ter apenas 17 anos de idade, mostra uma enorme liderança dentro de campo. Bom zagueiro, é habilidoso, e tinha a função de líbero no esquema de três zagueiros do Verdinho. Com a necessidade de zagueiros no elenco principal, poderia facilmente subir.
    Mas os grandes destaques da competição foram os meio campistas Bruno Dybal, 17, e Diego Souza, 18. O primeiro liderou o time na conquista do Campeonato Paulista sub-18. Apesar de jovem, tem enorme calma, responsabilidade. É habilidoso, e um verdadeiro líder dentro de campo. Seria uma ótima opção no elenco de Felipão. Já Diego, encheu os olhos da torcida palmeirense. Fazendo golaços, jogando na raça, demonstrou ter habilidade e capacidade de jogar no elenco principal alviverde. No último jogo, frente ao Furacão, chegou até a jogar passando mal, e mesmo assim, ainda fez um golaço. Esse tinha que subir já. E ele ainda pode jogar de atacante.
    Esses foram os grandes destaques alviverdes na Copinha. Porém, eles dificilmente devem ser usados por Luiz Felipe Scolari, que clama por reforços. O time, de fato ainda precisa de (muitas) peças. Um lateral direito, um meia, um atacante e um zagueiro, no mínimo. Mas, algumas dessas vagas poderiam ser preenchidas por jovens. Não seria o ideal, mas na falta dos camarões, pedidos por Felipão, eles podiam pelo menos ser um bom prato.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Corinthians falha no planejamento ao focar todos seus esforços em apenas um atleta


Embora campeão brasileiro, o Corinthians me preocupa... Não tanto quanto nos anos anteriores, mas eu vejo uma grande falha no planejamento alvinegro para o ano de 2012.
Andrés Sanchez saiu e deixou a contratação de Montillo engatilhada. Bastava o jogador fazer a sua parte, deixar claro para o clube mineiro que a proposta corintiana era muito benéfica em termos financeiros e futebolísticos. Andrés, porém, não contava que o novo presidente do Cruzeiro era um senhor prepotente e alucinado... Gilvan de Pinho Tavares estipulou um valor, para o meia argentino, totalmente fora das possibilidades de um clube brasileiro.
Walter Montillo é um grande jogador, talvez o melhor em sua posição, atuando no Brasil. Porém, pagar 17 milhões de Euros por um atleta de 27 anos, que vingou no futebol há menos de três temporadas, é jogar dinheiro fora. Existem outras opções mais baratas, principalmente no mercado latino, tão pouco explorado por clubes brasileiros.
Enfim, o Timão fez uma oferta de 8,5 milhões de Euros, a qual foi prontamente recusada pelos mineiros. Com mais uma tentativa fracassada, o Corinthians publicou uma nota oficial em seu site dizendo que as negociações estavam encerradas. O curioso foi que, logo em seguida, Montillo se pronunciou dizendo que queria defender o manto alvinegro nessa temporada. O Cruzeiro tremeu.
Gilvan abandonou seu discurso de manter o jogador sem aumentar seu salário. Nos bastidores, o presidente do Cruzeiro trabalha, de forma desesperada, atrás de empresas que aceitariam investir em direitos de imagem do meia.
Meu palpite é que Montillo ficará no Cruzeiro e receberá um grande reajuste salarial.
Mas aí vem a parte preocupante. O Corinthians disse que não irá atrás de outro meia de destaque caso Montillo realmente não acerte.
Ano passado, o Timão apostou na manutenção da maior parte do elenco de 2010 para a disputa da pré-Libertadores.  O que se viu foi um punhado de jogadores fora de forma e um banco de reservas que não oferecia opções para substituir esses jogadores sem ritmo. Faltava também um líder em campo, um jogador que chamasse a responsabilidade. Isso ficou ainda mais claro quando Liédson chegou marcando gol atrás de gol, após a eliminação na Libertadores.
Hoje, o Corinthians tem Alex e Liédson. Mas Montillo possui experiência na competição internacional e seria fundamental para o elenco. E, infelizmente, o Corinthians enfatizou que não irá buscar outro jogador como o meia argentino.
Depois, se o Corinthians tiver problemas na Libertadores, irão culpar a falta de planejamento, algo que poderia ter sido evitado se o time não ficasse focado apenas no Montillo e tivesse procurado outras boas opções...
      

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Fim da Era



  Os palmeirenses sentirão falta dele. O futebol sentirá.
   Obrigado. Não a nada além disso que possamos dizer ao nosso Marcão numa hora dessas. Obrigado por me fazer palmeirense. Por ser meu ídolo. Por ser a cara e o cara do Palmeiras. Mas, muito mais do que isso, por sempre, sempre e sempre, ser palmeirense de coração. Marcos é, foi e sempre será um ídolo. Um exemplo. Um santo.
    Talvez por significar tudo isso, nunca achei que esse dia chegaria. O dia que São Marcos deixaria de vestir a 12, deixaria a faixa de capitão. Passaria nosso posto de goleiro para o próximo. Amanhã, qualquer um que verdadeiramente aprecie o futebol, vai acordar mais triste. Foi o fim da carreira de um exemplo, de um ídolo, não só dos palmeirenses, mas de todas as torcidas. Não só dentro das quatro linhas, como também fora delas. De um caráter fenomenal. São Marcos é simplesmente indescritível. Sem ele, o futebol perdeu um pouco do seu sentido.
     Num futuro, não muito longe, terei orgulho de falar para os palmeirenses mais jovens: "eu vi Ele jogar!" Porque São Marcos, uma vez que encerrada sua carreira, deixa de ser um jogador para ser imortalizado. Para virar uma Lenda. Uma Lenda que eu me orgulho de ter visto vestir o manto alviverde! Afinal, quem mais teria 532 jogos e 19 anos pelo Palmeiras?
    É, os números de Marcos impressionam. Mas, não demonstram nem de perto o que a torcida alviverde sentia pelo Ídolo. O que Marcos representava, não só para o palmeirense, como para qualquer amante de futebol. A tristeza imensa, que hoje sentimos.
    Um dos maiores ídolos do futebol brasileiro, e, provavelmente, na minha opinião, o maior ídolo da História do Palmeiras pendurou as chuteiras.  São Marcos, que tanto nos tirou lágrimas de felicidade em inúmeros jogos, hoje nos faz chorar, como ninguém, de tristeza. De saudade. E que saudade...
     Se hoje jogadores deixam de suar, de jogar com a alma, de se identificar com um clube, Marcão soube, como poucos, o que realmente significa vestir a camisa de um clube. Do Palmeiras. Como, Rogério, que soube realmente o que é vestir a camisa são paulina.


    Marcos é, foi, e sempre será uma lenda. Um ídolo que ultrapassou as quatro linhas. Por ter sido um dos melhores goleiros da História do Futebol, ele será lembrado. Por defesas sensacionais e penaltis defendidos, ele será lembrado. Por recusar uma proposta de milhões de euros do Arsenal, para defender um time na Segunda Divisão, ele será lembrado. Mas além de tudo isso, o camisa 12 será eternizado, principalmente, por ter se tornado ídolo de palmeirenses, são paulinos, cruzeirenses, corintianos, colorados... Não só um herói de uma entidade, mas um herói do futebol.
    E se desde o começo do ano planejava esse texto, hoje as palavras não saem. Não há o que escrever. Não há como descrevê-lo, ou como agradecê-lo. Apenas dizer: Obrigado, por tudo, Marcos Roberto Silveira Reis, o São Marcos de Palestra Itália.



quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

A morte do futebol brasileiro?

    Em hulho, a revista inglesa FourFourTwo publicou uma reportagem intitulada de Death of Brazil sugerindo que o futebol brasileiro teria "morrido". Na época, ao ler a reportagem, tomei um susto. A coisa me pareceu absurda. E esse era o sentimento do estrangeiro sobre o antes tão bem falado futebol brasileiro. Mas agora, tenho que dizer que mudei minha opinião, e, apesar de talvez um pouco dura demais, a reportagem da FourFourTwo tem razão.
    Vamos aos tópicos citados pela reportagem como "causas" dessa morte.
    O primeiro tópico abordado na reportagem se refere aos zagueiros. Intitulado de "When did the defenders get so good?" (quando os defensores se tornaram tão bons?) o trecho fala sobre os jogadores ofensivos, que antes surgiam em quantidade absurda e logo eram vendidos para times europeus, mas que hoje, pouco figuram na Champion League. Hoje, os principais jogadores brasileiros atuando no Velho Continente são defensores, como Thiago Silva (Milan- ITA) e Daniel Alves (Barcelona- ESP). E mesmo os atacantes considerados craques por aqui, como Neymar, se provaram incapazes de competir com os verdadeiros craques que atuam na Europa.
    Em sua segunda parte, a reportagem fala sobre o retorno de nossos antigos craques para casa. É verdade que a qualidade do Brasileirão vem aumentando ano após ano, graças ao retorno de velhos craques ao país de origem, mas também está ficando cada vez mais claro que nossas estrelas não retornam ao futebol brasileiro apenas buscando dinheiro. É cada vez mais comum, estrelas brasileiras não aguentarem a concorrência em times estrangeiros, e ao se depararem com a reserve, surge a vontade de retornar. É, o Brasil está perdendo espaço...
    Também temos uma crítica à pífia preparação que estamos tendo para a Copa. E a terceira parte da reportagem, cujo nome é "Can they get together for 2014?" (Eles podem se unir para 2014?), fala apenas sobre isso.
    E críticas ao nosso "querido" técnico Dunga, não podiam faltar. Na quinta parte, a reportagem fala sobre o "futebol de resultado" adotado pelo ex-treinador da Seleção Canarinho. E impõe uma questão: se Mano adotar esse mesmo esquema, as coisas darão certo? Porque estamos acostumados a ver nossa seleção ganhar, mas ganhar dando show, jogando como Brasil. E isso não acontece há muito, mas muito tempo. Será que Mano dará um jeito nisso?
    No fim, a revista britânica ainda elege o seu time ideal para 2014. Jogadores como Neymar, Dedé, Lucas, e até Jean Chera são citados.
    A reportagem pode ser um pouco dura demais, mas a verdade é que há muita verdade nela. No domingo, vimos que o melhor time, não só do Brasil, mas das Américas, já não é páreo para os europeus. Tá certo que o outro time era o Barcelona, mas e se fosse outro? O resultado seria muito diferente com o futebol apresentado pelo Santos? De craques, hoje, só temos Neymar e Ganso. E eles atuam no Brasil, o que é bom por um lado, mas ruim por outro. Podemos vê-los de pertinho, dando show no nosso país. Porém, a verdadeira prova é o futebol europeu, onde todos os craques jogam. E jogando lá, teriam eles o mesmo sucesso?

    Hoje, já não assistímos mais a shows. Nosso futebol tem poucos gols, está repleto de 1 a 0... Onde está o futebol bonito? O futebol pentacampeão? Precisamos descobrir até 2014. E um bom começo seria tirando um tal de Ricardo Teixeira do futebol canarinho.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Futebol Brasileiro - Hora de Pensar Grande!


       O futebol brasileiro está em um processo de transição. É a capitalização dos clubes e uma tentativa de elevação de patamar, por parte dos dirigentes de clubes.
       Ontem, tivemos uma lavada do Barcelona em cima do Santos. É fácil reconhecer que essa goleada é fruto de um processo bem trabalhado durante anos. Vou ressaltar apenas uma coisa, que vai ser importante para o restante do texto:  o Barcelona ganhou três títulos nacionais entre 1960 e 1985, apenas três.
       Existe uma palavra que define melhor esse sucesso catalão: Filosofia. A filosofia do Barcelona é uma filosofia que parece simples, mas envolve muita variáveis. É um ideal em que todos os jogadores se gostam e se respeitam, se cobram duramente, mas isso não afeta a moral dos atletas. É um profissionalismo elevado ao extremo.
       Para tudo isso acontecer, é preciso que todos os profissionais do clube sejam adeptos a essa filosofia. No Barcelona, isso acontece. Isso envolve, principalmente, os profissionais da base.
       Muitos jogadores do time titular do Barça são revelados na base do próprio clube. São jogadores que se comprometem em passar muito tempo da carreira dentro daquela instituição. E isso acontece, porque o trabalho da base é voltado para o objetivo do Barcelona, o objetivo de vencer. Dessa forma, os jogadores revelados por lá, talvez não sejam os melhores tecnicamente do mundo ( aqueles que, conseqüentemente, dariam mais lucro ao time ), mas são aqueles que se encaixam melhor à filosofia do clube. São craques dentro do elenco, formam o elenco vencedor.
       Esta parte, talvez seja a mais difícil de um profissional dentro do clube. O profissional do Barcelona precisa dizer ao jogador que ele não será o melhor do time, mas que ele será vencedor. Porque, no fundo, o futebol é um esporte coletivo, e os jogadores devem almejar a vitória antes dos objetivos pessoais. E é isso que falta ao futebol brasileiro, hoje.
       Faltam dirigentes que apresentem um plano de carreira para o jogador. Faltam jogadores que vejam com mais brilho nos olhos, a oportunidade de levantar uma taça da Libertadores, do que comprar um carro de luxo...
       O Barcelona passou um bom tempo sem ganhar títulos e lançou um projeto revolucionário, que não traria resultados imediatos. É um projeto que demora, mas que os resultados são duradouros, como observamos por aqui. Quando o time reserva do Barcelona entra em campo, mesmo cheio de garotos, o estilo de jogo se repete. É um estilo que os jogadores gostam de praticar. E os atletas jovens sabem que, ao aderirem à filosofia catalã, eles reduziram as chances de serem estrelas de um time. Mas eles sabem que serão vitoriosos. Vão vencer títulos. Pena que nem todos os jogadores pensam assim...
       O Barcelona conseguiu executar seu projeto e obteve um sucesso absurdo. É o time mais dominante do mundo. E será o mais dominante por algum tempo. É um exemplo a ser seguido.
       Alguns outros times tentam iniciar um plano parecido. Irei pegar o exemplo do Corinthians.
       O Corinthians foi rebaixado e atingiu a pior etapa de sua história. Precisava contornar a situação. Mas, mais importante, precisava fazer algo maior, que garantisse que aquilo não iria se repetir.
       O Timão entendeu que era necessário arrecadar capital. Vendeu jogadores, diminuiu orçamentos e apostou fortemente no marketing, com a presença de Ronaldo.
       Hoje, o Corinthians têm o quarto maior patrocínio do mundo.
       Com essa grana arrecadada, o Corinthians está construindo seu estádio e montou o CT mais moderno da América Latina. E, por mais que alguns duvidem, isso gera títulos, afinal, é apenas parte de um projeto de longo prazo.
       Um projeto de CT para a base já está sendo feito e, além disso, o Corinthians está tentando empregar uma filosofia vencedora. Contratou Narciso, treinador que revelou, entre outros, Neymar e Ganso ao futebol brasileiro.
       É o Corinthians arrecadando e investindo forte em áreas que prometem dar muitos bons resultados no futuro.
       Outro ponto que precisa mudar no futebol brasileiro é o planejamento. Hoje em dia, os clubes fazem planejamentos anuais, com apenas alguns projetos a longo prazo. Os planejamentos precisam ser mais extensos, mesmo que isso implique em derrotas durante o amadurecimento do projeto. Cabe às diretorias agüentarem a pressão e tentarem conscientizar seus torcedores que, no futuro, isso trará resultados. É o que Andrés Sanchez fez em 2011.
       Apenas para concluir, utilizarei um exemplo prático de como os clubes brasileiros fazem mal uso do dinheiro.
       O São Paulo fez, hoje, uma oferta absurda para contar com o apoiador Montillo. Cerca de 24 milhões de reais, mais alguns jogadores, entre eles, o atacante Henrique, melhor jogador do mundial Sub-20 realizado este ano. Estimando um valor de 15 milhões de reais por Henrique, que tem mercado na Europa, o tricolor está investindo cerca de 40 milhões em um jogador de 29 anos.
       O talento de Montillo é inquestionável. Se o Cruzeiro aceitar a oferta, pode ser que o argentino traga resultados imediatos, como o título da Copa do Brasil. Mas vale lembrar que, de repente, esses 40 milhões poderiam ser investidos na melhoria do bom CT são paulino. Com isso, o tricolor aumentaria sua vantagem em relação a clubes que possuem CTs desastrosos. Mas a diretoria preferiu ficar no conservador, sem pensar muito longe...
       Como eu disse no começo do texto, o Barcelona ficou cerca de 20 anos vencendo raros títulos. Mas hoje, possui um dos melhores times, uma das melhores estruturas, da história do futebol. Parabéns ao Barça por pensar grande, como todos clubes deveriam pensar.